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NA TELEVISÃO NA PALAVRA NO ÁTIMO NO CHÃO

Aurora Miranda Leão

ISBN: 978-65-5889-213-7
DOI: 10.46898/rfb.9786558892137

Presentación

É com carinho e enlevo que dedicamos este trabalho a Caetano Veloso.
Sendo o inspirador de todos os textos que compõem esta publicação, nada mais natural que consagrar a ele esta singela homenagem.
Um dos pensadores mais lúcidos e coerentes do universo intelectual e artístico do país, Caetano tem sonoridade permanente na minha estrada desde muito garota. Não lembro a primeira música que ouvi, mas recordo minha mãe muito cantar Alegria alegria e a Felicidade, do gaúcho Lupicínio, que encontrou no baiano seu melhor intérprete, e repetir sempre que a voz dele era um bálsamo. Meu amado pai, um cinéfilo apaixonado por música, fã incondicional de Orlando Silva, Carlos Gardel, Astor Piazzolla e Ernesto Nazareth, tinha predileção imensa por Coração vagabundo e adorava ouvir Gal cantando Baby.
Acontece assim, às vezes é do nada: de repente, vejo uma coisa e um verso de Caetano se derrama na minha emoção. Noutras tantas, é uma frase sua que me surpreende e de pronto transporta-me a outra temporalidade. Assim foi com os artigos constantes deste livro: muitos nasceram porque uma música dele me soletrou uma ideia; alguns viram cenas em suas harmonias; outros imaginaram cinemas através da sua poética; e há ainda as melodias e versos que me desvendaram possíveis narrativas.
Dono de notável vigor intelectivo, vocação, coerência, posicionamento claro em defesa da liberdade e objeção a toda forma de preconceito, Caetano tem um dom raro: é encantatório. As palavras do artista – cantadas, faladas ou escritas -, “São como a radiação de um corpo mestiço apontando para a expansão do Universo porque a frase, o conceito, o enredo, o verso e, sem dúvida, sobretudo o verso, é o que pode lançar mundos no mundo”.
É isso o que Caetano Veloso faz quando se manifesta, seja no filme Narciso em férias (que substancia o artigo final deste livro), no traçado musical, nas letras suas, em qualquer entrevista: o compositor expande os condutos sensoriais, amplia o horizonte e instiga novas sinergias fazendo aflorar percepções singulares sobre o já visto ou estimulando olhares inaugurais sobre o nunca observado.
Lançamos esta obra como zumbaia ao baiano de Santo Amaro, flor da primeira música, que rezou a novena de Dona Canô, seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor, e segue o Olodum balançando o Pelô, desejando que o artista prossiga criando e espalhando qualquer coisa além da beleza, como diria Vinícius de Moraes, e continue a prospectar esperança e alegria, e a espalhar benefícios, mesmo que fique guardado em sigilo o que usará para isso.
Esperamos que você, amigo leitor, tenha tanto gosto em ler estas páginas como tivemos em escrevê-las. De um jeito tudo métrica e rima e nunca dor porque eu desejo seguir cantando e querendo Caetanear o que há de bom !
Juiz de Fora, 03 de agosto de 2021.

Fecha de publicación:

24 de outubro de 2021 11:28:49

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