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CIDADES POSSÍVEIS: A EXPERIÊNCIA DO RESIDENCIAL JACINTA ANDRADE

Helissandro Rocha da Silva

ISBN 978-65-5889-177-2
DOI: 10.46898/rfb.9786558891772

Presentación

A presente obra é dedicada a problematizar tecituras urbanas no século XXI. Antes, porém, comporta fazer uma meditação sobre uma historicidade do conceito de cidade, desde as noções contidas em As cidades invisíveis, passando pela dita modernização de Paris no século XIX, por intermédio das reflexões de Walter Benjamin, chegando a posteriori nas intervenções da cidade do Rio de Janeiro, que objetivava “europeizar” a capital da República. Neste contexto, também são inseridas as questões levantadas em Raízes do Brasil inerentes as análises do desenvolvimento das formas urbanas na América espanhola e as cidades na América portuguesa, que culminou na tentativa de compreender as formas de organização social entre ambas.
Após esta travessia, breve reflexões foram feitas sobre as cidades contemporâneas no tempo presente, seus avanços tecnológicos, problemas e principais desafios. Destacando os três poderes capazes de moldar as tecituras urbanas no Brasil e no mundo, que são: o poder econômico, o político e o social (popular). Sendo que vem se observando um avanço do primeiro, com a crescente financeirização da moradia em nível global. Na era da informática em que vivemos, ressaltamos que as tecnologias interferem diretamente nas cidades, são determinantes para a formação dos tipos de sociabilidades e sustentabilidades, a cidade possível.
Entretanto, a centralidade de nossas análises é sobre as políticas públicas para habitação no Brasil nas últimas décadas, mais precisamente, o interesse primordial é uma meditação sobre o governo de Luís Inácio Lula da Silva, eleito presidente da República em 2002, que de imediato implementou uma das bandeiras de luta histórica do seu partido (PT) para as questões do direito à moradia. Neste sentido, o marco principal foi a criação do Ministério das Cidades, que promoveu políticas públicas de inclusão social e direito à moradia para parcelas da sociedade de baixa renda, dantes excluída pelo capital financeiro e imobiliário.
Posto isto, esta obra demonstra a experiência do Residencial Jacinta Andrade, em Teresina, que no Piauí, veio a constituir, talvez, o maior exemplo dessas políticas públicas de inclusão social através da moradia que foi presenciada no período do governo Lula. Tratou-se da construção de milhares de casas destinadas a beneficiar uma população com renda mensal de um a três salários mínimos.
Por fim, passados dez anos da chegada dos primeiros moradores no Residencial Jacinta Andrade, este aglomerado urbano, coletivo por definição, constitui-se numa nebulosa, berçário de novas sociabilidades, uma tecitura urbana complexa, um caldeirão cultural. Formado não apenas pelo traçado em xadrez de suas ruas mas, pelas particularidades intrínsecas das pessoas, uma singularidade dentro de uma multiplicidade. O Jacinta Andrade, portanto, cumpriu a missão a que se destinava, inclusão social através do direito à moradia.

Fecha de publicación:

25 de novembro de 2021 19:56:58

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